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Fio da Criação

"Criatividade é inventar, experimentar, crescer, correr riscos, quebrar regras, cometer erros, e se divertir." - Mary Lou Cook -

sexta-feira, 17 de setembro de 2010


Postado por ஜdrama_queenஜ às 2:35 PM

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Do arame nasce a arte...

O ARTISTA/ARTESÃO

O Fio da Criação...

Comecei a trabalhar com o arame aos 15 anos. Lembro que pegava restos de cabos de cobre utilizados na fiação elétrica de construções e “brincava” fazendo deles animais e formas humanas inusitadas. Meus amigos riam e me desafiavam a fazer as coisas, e o desafio me motivava a imaginar e a lutar com arame até que ele ficasse com o formato da idéia, porém, o arame sempre ganhava. Fazia peças por diversão, praticamente tinha vergonha de mostrar aos outros ou imaginar “vender” este tipo de criação.
Com o passar do tempo fui me aperfeiçoando, a fase da adolescência passou, comecei a fazer presentes para amigos e parentes, e, meu irmão, que sempre me aconselhava a mostrar aos outros as peças, a vendê-las, colocá-las em lojas, marcou uma exposição de peças (as quais não tinha feito ainda) sem meu consentimento, na escola em que ele trabalhava e publicou no jornal da cidade. Assim, não tinha mais como escapar, a 1ª exposição iria sair.
O lema dele era/é “Você precisa de pressão... senão... não faz...”. Ele me incentivou a começar a vender e a criar coisas novas, objetos decorativos, pois para ele o que eu fazia, era arte, e arte bonita, estilizada, única e diferente. Algumas lojas se interessaram, porém no esquema “faz 20 de cada uma...”, comecei a ganhar um pouco de dinheiro e parei. A idéia de artesanato me desistimulava e me roubava a inspiração, eu não queria cópias idênticas, não queria uma linha de produção.
Aos 22 anos, em 2003, realizei minha 2ª exposição, em Lins, na UNIMEP, faculdade em que me formava. A partir dessa exposição, aprendi a fazer do arame o que o arame quer ser, a dar o formato que já está nele, utilizando a junção das minhas idéias, inspirações e percepções. Me apaixonei pela forma, pelo movimento, pelo vazado.
Tive contato com as artes, adquiri minhas preferências (surrealismo, expressionismo) minhas opções (do olhar, do inteprertar, impressionismo), meus gostos (do erótico, do subversivo, Nelson Rodrigues). Apesar disso, a expressão, a silhueta, o movimento, a ação do tempo, do desgaste, sempre influenciaram meu gosto, minhas criações. Sou casado, tenho emprego fixo, não vivo da minha arte, porém ela, matreira, às vezes abusada, ainda teima em aparecer e me fazer gerar aquilo que fica impertinamente me incomodando, me machucando. O arame muitas vezes pra mim é uma fuga. Hoje, minha esposa me incentiva e estimula a fazer peças e a não me desanimar frente à rotina, à falta de tempo, ao trabalho, e aos estudos. Esses fatores, agora, ocupam muito espaço, e ela é a pessoa que me “cutuca” a continuar fazendo.
Eu trabalho com vários tipos de arames e alicates, martelo, lima, bigorna e minhas mãos. Quando o arame quer, um único fio faz toda a peça, porém, as vezes, mais de um fio é usado e partes independentes são anexadas umas as outras, formando um todo. Não existem peças iguais, podem ser peças do mesmo tema, porém são únicas.
Não há limites no arame, tudo pode ser criado e feito com ele, basta ele deixar...

Julio Rizati
Brasileiro – Casado – 29 anos
Bacharel em Turismo

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